Ontem à tarde tivemos cá no ateliê a visita de duas simpáticas jornalistas do portal Sapo a gravar uma entrevista sobre a CaP, e aqui está o resultado, com que estamos, a propósito, muito satisfeitos! 😀 Rita e Inês: muito obrigada pelo vosso bom trabalho!
Cenas a pedal para todos os gostos
21 de setembro de 2011, 17:46
Por uma maior qualidade de vida. Este é o lema do espaço criado por Ana Pereira e Bruno Santos há 5 anos. O objetivo da empresa foi contribuir para colmatar as lacunas do mercado português na área das bicicletas utilitárias e promover um estilo de vida baseado na bicicleta como veículo de transporte e de lazer.
Não é uma loja mas sim um espaço multifunções. Na “Cenas a Pedal” qualquer pessoa pode visitar o show room e encomendar uma bicicleta para comprar ou simplesmente alugar, ter formação prática em condução de bicicleta, comprar todo o tipo de acessórios ou consertar o seu veículo a pedal.
Uma das inovações criadas pela empresa foi o serviço “Bicycle Repair Man”, um serviço de assistência que “luta contra o flagelo das bicicletas avariadas e dos seus ciclistas apeados no centro de Lisboa”, segundo o site da empresa. O “super-homem das bicicletas” também faz visitas ao domicílio.
Ana é formada em química aplicada ramo biotecnologia e Bruno tirou um curso de informática. A formação profissional pode não ser parecida mas o gosto por bicicletas é comum ao casal que quis criar um espaço útil a todos os ciclistas.
Para além dos vários serviços prestados, a empresa tem participado em diversos eventos e iniciativas que tenham a ver com “cenas a pedal” e mobilidade.
No próximo sábado, dia 24, realiza-se a Feira de Bicicletas Maduras, das 15h30 às 17h30, na Av. de Álvares Cabral, em Lisboa, onde qualquer um pode comprar e vender os seus veículos a pedal ou outros objectos. Não há tendas nem espaços delimitados, é só chegar, encostar as bicicletas à parede, pendurar os acessórios e começar a vender.
Este ano vamos lá estar a dar assistência técnica, com o Bicycle Repair Mande novo a dar apoio nos pequenos contratempos (uma corrente que salta, um selim mal apertado, um furo, pneus em baixo, etc). Em princípio devemos ficar no mesmo sítio do ano passado, junto à curva dos pinheiros, em Caxias.
E devemos ter algumas cenas a pedal em exposição na tenda, paralelamente, para entreter. 🙂
Apanhem o comboio ou vão a pedalar (em grupo criam uma massa crítica que oferece uma viagem mais segura e confortável), não contribuam para a selvajaria e caos de estacionamento anárquico e congestionamento de trânsito que acontece sempre nos acessos à Marginal, causado por quem insiste em levar o carro até onde o deixarem… Passem a palavra. 😉
À tarde estaremos no Jardim Amália Rodrigues, o Bruno estará a dar os nossos mini-workshops de mecânica de bicicletas na óptica do utilizador, um sobre furos & Cia e outro sobre afinação de travões e mudanças. Querem ser uns ciclistas empoderados? Então apareçam com as vossas biclas. As inscrições são através da organização do Verde Movimento. Em paralelo, eu estarei a operar um pequeno Laboratório de Cenas a Pedal, onde poderão experimentar uma bicicleta com assistência eléctrica, uma dobrável de suspensão total, um triciclo reclinado, e mais algumas coisas. 😉 Vejam o resto da programação da SEM em Lisboa aqui.
Pois é, faz hoje 5 anos que foi fundada a Cenas a Pedal. Parece muito tempo e, no entanto, parece que passou num instante. É o que acontece quando estamos embrenhados em algo, não damos pelo tempo a passar!
Principalmente nos últimos 2-3 anos esta dedicação implicou praticamente não termos vida “pessoal”. Sacrificámos outras coisas que as pessoas normais tomam por normais entre os 25-30 anos (ter fins-de-semana e férias, manter hobbies e outros interesses, filhos, etc). Mas valeu a pena, porque olhando para trás nestes 5 anos vemos como as coisas mudaram e acreditamos que o nosso trabalho muito contribuiu para essa mudança, e era isso que pretendíamos.
Durante muito tempo o blog da Cenas a Pedal era o único blog activo sobre mobilidade em bicicleta e temas relacionados. Remávamos contra a corrente falando de andar de bicicleta na cidade, de bicicletas reclinadas, de bicicletas de carga, de aprender a circular na estrada sem medo, de urbanismo à escala humana, divulgávamos iniciativas e eventos, etc, etc. Agora, 5 anos passados, basta ver toda a actividade bloguística no Planeta Bicicultura (e mais além) e os vários grupos no Facebook (tipo este, este, este, este e este, por exemplo) e outras páginas e fóruns. Já não somos os únicos ou dos poucos a falar de bicicletas de carga, eléctricas, dobráveis, reclinadas, etc. 🙂
A bicicleta como solução de transporte urbano tem tido cada vez mais e melhor presença nos media, com reportagens na televisão, na rádio, na imprensa e na web. A Massa Crítica tem-se expandido por mais cidades no país e engrossado em aderentes, a Cicloficina pegou, criou-se e ressuscitou-se a MUBi. O Bicycle Film Festival chegou a Portugal. Têm aparecido empresas de pedicabs, de estafetagem, e mais uma ou outra loja/empresa dedicada à bicicleta além-BTT. Ciclovias & Cia e sistemas de partilha de bicicletas têm sido uma estratégia cada vez mais popular de captar financiamentos europeus e não só. A bicicleta até já foi usada como bandeira numa campanha eleitoral na capital. Há cada vez mais eventos de confraternização, e mais eventos institucionais à roda da bicicleta ou inclusiva dela (palestras, conferências, etc).
Embora as instituições sejam mais lentas a aceitar e a envolver estes temas na prática, já o integraram nos seus discursos politicamente correctos (supostamente até vamos ter um Plano Nacional de Promoção da Bicicleta e Outros Modos de Transporte Suaves), o que é um primeiro passo. Entretanto a sociedade civil é mais rápida e as coisas já começam a mudar. A mudança de comportamentos e de expectativas já faz parte da conversa de café, à mesa em casa, e com os colegas. A pouco e pouco, cada pessoa individualmente está a fazer a diferença. Isto chama-se mudar o mundo, e é sempre feito à escala individual.
Agora já não tenho que me preocupar em divulgar ou relatar eventos, ou até novidades do sector das bicicletas, há logo uma série de gente a fazê-lo e a informação circular rapidamente. 🙂 Gosto de acreditar que contribuímos para criar esta bola de neve e imprimir-lhe momento, reduzindo o atraso da nossa sociedade. O nosso impacto não é mensurável porque toda a mudança é multifactorial, mas sei que fizémos bem a nossa parte.
Não é hora de descansar. Apenas de refocalizar esforços. Há muito trabalho por fazer. E muitas lutas a travar (legislação, infraestruturas, serviços públicos, etc). E em simultâneo temos que saber sobreviver e prosperar enquanto empresa, pois é ela que nos sustenta e nos permite desenvolver este trabalho (muito dele não viável comercialmente, pelo menos nesta fase), o que coloca desafios próprios. Como me disse o responsável de uma empresa holandesa de acessórios utilitários para bicicletas, um vendedor de botas num país em que toda a gente anda descalça, ou está lixado porque ninguém lhe vai comprar o que ele quer vender, ou o potencial é gigantesco, depende de como encara a situação. E nós, desde o início, estamos nessa situação.
O potencial para a nossa visão de uma cidade e de um estilo de vida baseados nos modos activos de mobilidade é enorme, mas ainda estamos na fase de mostrar às pessoas o como e o porquê, num contexto cultural, social, legislativo, fiscal, e estrutural que lhes incentiva e promove o contrário, por isso a evolução é muito lenta. Principalmente porque as autarquias e o Governo, que têm o poder para despoletar e viabilizar mudanças, não têm vontade de o fazer. A nossa visão de cidade, que é, felizmente, partilhada por muito mais gente, só vai ser uma realidade quando quem ganha dinheiro com a cidade actual o puder e souber fazer no contexto dessa visão. Por isso temos que trabalhar para que se envolvam na bicicleta como meio de transporte utilitário e recreativo pessoas e empresas que a encarem antes de mais como uma oportunidade de negócio, e de auto-sustento, e não necessariamente só ou também, depois, como uma batalha filosófica ou política, mesmo que isso nos faça comichão. 😉 Sabendo, claro, que quem faz as coisas com paixão e convicção marcará sempre a diferença indo mais além, mais cedo, melhor, e por mais tempo.
Para os próximos 5 anos esperamos poder contribuir em igual proporção para a mudança de paradigma da sociedade centrada no automóvel como primeira opção de transporte para a sociedade centrada no andar a pé e de bicicleta. Esperamos conseguir expandir e desenvolver os nossos serviços actuais, e oferecer outros novos. Para isto a Cenas a Pedal terá que crescer, deixar de ser apenas a Ana e o Bruno, mas uma equipa coesa de várias pessoas com diferentes e complementares valências. Encontrar, cativar e manter essas pessoas, que terão que reunir um conjunto de características, aspirações e competências pouco comuns, além de afinidade mútua, será o nosso maior desafio. Por agora, a gestão, comunicação & decisão num núcleo a dois é superfácil e eficiente, e confortável, alargar o grupo de trabalho confrontar-nos-á com novos desafios e responsabilidades. Mas o caminho é para a frente, e para realizarmos a nossa missão com mais impacto teremos sempre que crescer. O novo site, actualmente em desenvolvimento, assinalará essa nova fase. Entretanto, algures nesse caminho, esperamos também conseguir arranjar tempo livre para desfrutarmos mais daquilo por que temos andado, afinal, a batalhar: andar de cenas a pedal. 🙂
Entretanto, 24 de Setembro é dia de assinalar estes 5 anos! 🙂 Divulgaremos o programa do dia brevemente!
Fartos de lanchar barras de cereais e abolachados em geral acompanhados de sumos (as reservas de emergência para os muitos dias de trabalho que se arrastam além da hora de jantar, ou para quando nos esquecemos de trazer umas sandes pró lanche), comprámos um mini-frigorífico aqui para o ateliê, o único que cabia na nossa prateleira-cozinha to be. Parece um frigorífico de uma casa de bonecas, não só de tamanho, claro, mas do aspecto do material, etc. Bom, esperemos que dure pelo menos os dois anos da garantia. 😛
Agora podemos fazer o lanche aqui, e já dá para ter uns iogurtes e tal. Um luxo! 🙂
Aproveitámos uma viagem “burocrática” a Oeiras, à boleia e altamente carpoolizada, e demos um salto a uma “grande superfície” local. Eu, que desta vez viajei atrás e à janela, num carro cheio (normalmente quando vou de carro é a conduzir ou ao lado), detestei particularmente a experiência. Andar de carro é abafado, claustrofóbico, monótono (estamos imóveis, a paisagem é aborrecida – pensem A5, IC19, etc, etc), particularmente no Verão. Mesmo para quem não vai no stress de conduzir, ser passageiro de automóvel, particularmente no banco de trás, é secante ao ponto de dar náuseas. Juro, coitadas das crianças acartadas para todo o lado sempre no banco traseiro de um carro, amarradas ao mesmo ou a cadeirinhas. Muitas vezes os pais nem as deixam caminhar de casa ao carro ou do carro à porta da escola, é o mais porta-a-porta que conseguirem…
Bom, quando nos deixaram em casa, viémos de bicla pró ateliê. O mini-frigo veio connosco.
Aaaah como souberam bem aqueles 3 minutos a pedalar, com uma passagem desnecessária mas sempre refrescante pelo Jardim da Estrela, a sentir o vento e o sol na pele, e a mexer as pernas! Abençoada bicicleta.
Quando instalámos o mini-frigo na sua nova casa e o pusémos a funcionar, imediatamente nos apercebemos de um pormenor que não nos lembrámos de considerar quando estávamos a ponderar a compra: o ruído (e também o calor). Para algo tão piqueno é um bocado barulhento. Nada de grave, vai diluir-se junto dos computadores, impressoras, ventoinha e desumidificador. 😛 Mas comecei a comparar o comprar um electrodoméstico com o comprar uma bicicleta.
Comprei este electrodoméstico no equivalente de venda a retalho de um aviário, uma grande superfície. E depois lembrei-me da minha experiência pessoal a comprar uma bicicleta aqui há 6 anos, também numa “grande superfície”. E realmente é um pouco a mesma coisa. É bom para o self-service, mas para quem não quer ou não pode ou não sabe fazer o trabalho de casa, nem tanto. E muito menos para quem procura algo mais específico. Depois pensei na experiência que tento oferecer a quem nos procura na Cenas a Pedal (algo mais na onda dos “Frangos do Campo“, “freerange” 😛 ) e transpus isso para a minha experiência ao comprar o meu mini-frigo.
Se tivesse comprado o mini-frigo numa Cenas a Electricidade, possivelmente ter-me-iam alertado para o ruído e para o calor gerado por diferentes modelos, e de que forma isso afecta a forma como os vou usar. 🙂 Talvez escolhesse esperar pela reposição de stock de outros modelos, mesmo que mais caros, dado que o ruído e o calor fazem diferença num espaço tão pequeno e onde o mini-frigo fica tão perto das secretárias.
Entretanto pus-me a pensar se haverá espaço, hoje em dia, para uma Cenas a Electricidade. Será que há para aí gente com uma paixão por electrodomésticos como nós por bicicletas & cia? Pequenas empresas defensoras do poder dos electrodomésticos para tornar o mundo melhor, a vida das pessoas melhor? 🙂 É possível trabalhar por gosto, fé, paixão, na área… dos detergentes? Do papel higiénico? Dos insecticidas?… 😛 Nem tudo é tão sexy como as bicicletas, mas a vida tem-me mostrado que a paixão tem mais a ver com o sujeito do que com o objecto. Somos nós que pomos amor naquilo que fazemos, somos nós que instilamos paixão nas coisas e não as coisas que a despertam em nós. Seja o que for a nossa área de trabalho, fazer cada vez mais e melhor e ter um impacto positivo nas pessoas e no mundo, depende de nós. Se amanhã nos metermos numa Cenas a Electricidade, Cenas de Colher, Cenas de Casa, whatever, será, espero, com o mesmo entusiasmo e dedicação. 🙂 Porque aviários já há suficientes.
A Feira de Bicicletas Maduras de Julho foi “virtual”, não houve expositores inscritos porque muita gente está de férias e fora de Lisboa. Contudo, tivemos algumas pessoas a passar cá, à procura. (Peço desculpa por não ter publicado nada acerca da confirmação ou cancelamento da feira aqui no blog, acabei por apenas avisar no Facebook, e houve quem não tivesse visto.)
A Sara, por exemplo, procura uma bicicleta usada para uma menina de 7 anos, ~1.20 m de altura. O Franco procura uma bicicleta de estrada usada SS (sem mudanças) ou fixie (roda fixa). Alguém por aí com algo do género para vender ou doar?
Aqui há tempos a Liliana deixou-nos o seu contacto pois tem uma bicicleta da Órbita, de quadro rebaixado, usada, para vender. Alguém interessado?
O Miguel veio cá deixar-nos uma bicicleta de menina, e uns pares de rodinhas de apoio, e parece que ainda tem mais uma para dar. Entretanto apareceu outra família também a deixar uma bicicleta de criança (esta precisa de um selim novo, o original partiu-se). O António também deu cá um salto com um suporte+garrafa e um alforge para doar.
Interessados? Entrem em contacto! De outra forma entregaremos estas doações a uma Cicloficina quando nos for possível.
Dado que Agosto será ainda mais deserto em Lisboa, a próxima edição da Feira de Bicicletas Maduras será, assim, em Setembro.